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Morreu o maior líder negro brasileiro do Século XX

August 1, 2011

by Paulo Rogério

An English translation appears below this text, originally submitted in Portuguese.

O Brasil perdeu um dos seus mais importantes líderes da luta pelos direitos humanos. Aos 97 anos, morreu, no Rio de Janeiro, o escritor, jornalista, ex-senador e dramaturgo, Abdias Nascimento no mês de maio. Considerado o mais importante ativista negro, depois do lendário Zumbi dos Palmares, Abdias representa, para os negros brasileiros, algo semelhante ao que Nelson Mandela representa para os sul-africanos, ambos com uma biografia dedicada à luta contra o racismo em seus países.

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A história de Abdias Nascimento confunde-se com a própria luta pela igualdade racial no Brasil. Sua militância começou na juventude, quando, ainda na década de 30, participou da Frente Negra Brasileira, o primeiro movimento nacional contra o racismo. E, em 1944, fundou com outros ativistas negros (procure um sinônimo) o Teatro Experimental do Negro, uma companhia que tinha como objetivo protestar contra a falta de negros na dramaturgia brasileira. Abdias foi, também, o primeiro senador negro do Brasil e um dos primeiros legisladores a abordar medidas de reparação para os descendentes de africanos escravizados no Brasil. Seus memoráveis discursos no Senado Brasileiro eram iniciados com um pedido de proteção às divindades africanas, das quais era devoto.

Abdias foi também um embaixador da causa negra brasileira no exterior. Exilado nos Estados Unidos durante os anos da ditadura militar no Brasil, o ativista entrou em contato com dezenas de importantes líderes afrodescendentes da África e demais países da diáspora. Na condição de professor convidado por prestigiadas universidades como a Yale School of Dramatic Arts, o escritor sempre sempre se dedicou a divulgação da história e cultura dos povos negros do Brasil. Suas denúncias nos fóruns internacionais fizeram de Abdias uma persona non grata para o establishment brasileiro, que refutava veementemente sua crítica à falsa democracia racial brasileira.

Autor de mais de vinte livros sobre o racismo brasileiro, o Nascimento foi reconhecido internacionalmente pela sua sensibilidade artística em quadros que representam o panteão de deus afrobrasileiros, representados em obras guardadas pelo acervo do IPEAFRO, instituição que criou junto com sua esposa, a pesquisadora Elisa Larkin Nascimento.

Homenagens

Em 2001, o escritor foi homenageado pelo Schomburg Center for Research in Black Culture, centro de referência mundial em artes negras na cidade de Nova York, com o Prêmio Herança Africana comemorativo aos 75 anos da instituição. A comissão de seleção dos premiados foi constituída pelo ex-prefeito de Nova York, David N. Dinkins, a poetisa Maya Angelou, o cantor Harry Belafonte, o ator Bill Cosby, o professor Henry Louis Gates da Harvard University e o cineasta Spike Lee. No início desse ano, Abdias havia sido indicado para o Prêmio Nobel da Paz por organizações da sociedade civil e endossado pelo Governo Brasileiro.

Uma das últimas aparições públicas de Abdias foi na visita do presidente Barack Obama ao Brasil no mês de março deste ano. Bastante debilitado, mas mostrando a mesma garra e convicção que lhe era típica, o ex-senador aceitou o convite de ouvir o discurso do presidente no mesmo teatro onde há mais de 60 anos ele havia quebrado o tabu do racismo para encenar uma peça com atores negros, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Na oportunidade, declarou que o fato dos Estados Unidos terem eleito um presidente negro seria uma lição para o Brasil.

No mês de abril, poucos dias antes da morte de Abdias, o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, por meio de sua Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial, lançou um prêmio nacional para estimular a diversidade na mídia com o seu nome. O jornal New York Times, em sua edição de 31 de maio, fez um obituário sobre o escritor.

Somente as gerações futuras conseguirão avaliar o impacto da mensagem de Abdias na sociedade brasileira seja em termos culturais, políticos ou sociais. O que sabemos por hora é que o Brasil ficou mais pobre sem a presença desse nobre guerreiro, que lutou mais de 80 anos por um mundo sem racismo e discriminação.

Brazil Mourns the Death of an Influential Afro-Brazilian Leader

Brazil recently lost one of its most important leaders of the twentieth-century movement for civil rights. At 97 years old, Abdias Nascimento—the writer, journalist, ex-senator, and playwright—died in Rio de Janeiro at the end of May. Considered the most important black activist after the legendary Zumbi dos Palmares, Abdias represents for Afro-Brazilians something similar to Nelson Mandela for South Africans. Both leaders dedicated their lives to the struggle against racism in their respective countries.

Abdias Nascimento’s story is intertwined with Brazil’s own struggle for racial equality. Nascimento’s activism began in the 1930s, when as a young boy he participated in the Brazilian Black Front—the first national movement against racism. And in 1944, he and other black activists founded the Black Experimental Theatre, a company that aimed to protest against the lack of blacks in Brazilian theatre. Abdias was also the first black senator of Brazil, and one of the first lawmakers to attempt to legislate monetary reparation for descendants of African slaves in Brazil. Abdias’ memorable speeches in the Brazilian Senate always commenced with an order of protection to African deities, to which he was devoted.

Abdias also served as the unofficial spokesperson abroad of the Afro-Brazilian cause. While exiled in the United States during the military dictatorship in Brazil, Nascimento entered into contact with dozens of important leaders in Africa and other countries in the diaspora. As both a writer and professor invited by prestigious universities like the Yale School of Drama, he always dedicated himself to spreading the history and culture of blacks of Brazil. But in international forums, these types of sentiments made Abdias a persona non grata in the eyes of the Brazilian establishment—which vehemently denied his “false criticism” of Brazilian racial democracy.

An author of more than 20 books on Brazilian racism, Nascimento was recognized internationally for his artistic sensibility in paintings that represented the pantheon of Afro-Brazilian gods. These works are guarded in the collection of IPEAFRO, an institution created by Abdias and his wife, the researcher Elisa Larkin Nascimento.

Tributes

In 2001, Nascimento was honored by the Schomburg Center for Research in Black Culture (SCRBC)—a global reference center of black art based in New York City. The SCRBC awarded Abdias the African Heritage Prize to commemorate 75 years of the institution. The prize selection committee consisted of former Mayor of New York David Dinkins, poet Maya Angelou, singer Harry Belafonte, actor Bill Cosby, Harvard professor Henry Louis Gates and filmmaker Spike Lee.

And earlier this year, Abdias had been nominated for the Nobel Peace Prize for civil society organizations—a nomination endorsed by the Brazilian Government.

One of Abdias’ final public appearances was in March of this year, during the visit of U.S. President Barack Obama to Brazil. Appearing rather weak, but displaying his trademark tenacity and conviction, the ex-senator had accepted the invitation to listen to Obama’s speech in the Municipal Theatre of Rio de Janeiro. This was the same theatre where, more than 60 years earlier, Nascimento had broken the taboo of racism to put on a play with black actors. In a subsequent interview in March, Abdias said that the United States, having elected a black president, would be a model for Brazil.

In April, shortly before the death of Abdias, the Journalists’ Union of Rio de Janeiro, through its Commission of Journalists for Racial Equality, launched a national award in his name to encourage racial diversity in the media. The New York Times, in its issue dated May 31, published an obituary about Nascimento.

Only future generations will be able to assess whether the impact of Abdias’ message in Brazilian society will be in cultural, political or social terms. What we do know for now is that Brazil was poorer without the presence of this noble warrior, who fought more than 80 years for a world without racism and discrimination.

*Paulo Rogério Nunes é um blogueiro que contribui para AQ Online. Paulo é diretor-executivo do Instituto Mídia Étnica e co-editor do Portal Correio Nagô. Twitter: www.twitter.com/paulorogerio81

Tags: Brazil, Social inclusion

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