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Learning from Gilberto Gil’s Efforts to Promote Digital Culture For All

November 7, 2011

by Paulo Rogério

Please find the original text below, submitted in Portuguese.

In Brazil, one name is synonymous with the digital culture movement: singer and songwriter Gilberto Gil. He has been referred to as a cyber-activist, warrior for free software and a “minister of hacking”—and he is considered the “ambassador” of this cause.

Gil has made a career out of challenging conventional wisdom and showing sufficient interest in the role that the Internet is playing in transforming the world. At a recent festival in São Paulo called youPIX, the singer, who turns 70 next year, was keen to stress the importance of how the Internet has challenged the status quo in politics, business and society.

It turns out Gil practices what he preaches. In June of this year, he provided all his discography to mobile platforms like Apple and Android. Gil is one of the great enthusiasts of the copyleft—a concept advocating openness and transparency by opposing the copyrighting of artistic works.

Known worldwide for his tropicalista songs—referring to the rhythm he invented with the Bahian Caetano Veloso—Gil was one of the two first musicians in Brazil to talk about the importance of digital culture. Even in the 1960s, he was a renegade in releasing a song called “Electronic Brain” which talked about robotics. By the 1990s, he unveiled “Through the Internet,” a song that predicted the potential unifying power of the Internet. The song became an anthem of sorts for Brazilian cyber-activists. 

Public Policy

One of Gil’s greatest contributions to Brazil’s digital culture movement was his role as minister of culture from 2003 to 2008, under former President Luiz Inácio Lula da Silva. As minister—and one of the few black ministers in Brazilian history—Gil was active in developing public policies to encourage cultural diversity and recognize the potential of all things digital. This approach earned him the nickname Ministro Hacker, or “Minister Hacker.” 

One example of his political will to instill a technological renaissance in Brazil is the “Pontos de Cultura” (Culture Points) program, which Gil created in 2010 to provide multimedia kits to encourage citizen journalism. The program reaches all peripheries of Brazil; notable beneficiaries are Afro-Brazilians, a population that traditionally has a low purchasing power and low access to services.

Pontos de Cultura allows the federal government to invest roughly $1.39 million (R$2.5 million) in culture initiatives throughout 1,122 Brazilian cities. The program solicits creative proposals from social organizations and community groups who apply for the ministry’s multimedia kit. If approved, the ministry awards $102,000 (R$185,000) to use multimedia tools to bring their proposals to life. Some of the tools that the ministry offers these organizations are microcomputers, mini-studios for CD burning, digital cameras, Linux software packages, and editing equipment. Pontos has, in effect, created a large national network of digital culture enthusiasts among hundreds of cultural groups.

Another policy change that Gil advocated was the Plano Nacional de Cultura (National Culture Plan—PNC), a 10-year cultural initiative. The PNC began to be debated in 2003 with aims to “ensure the full enjoyment of cultural rights of Brazilians of all economic circumstances, locations, ethnicities, and ages.” This legal framework is something new in the history of a Brazilian culture that has always favored the rich classes and big media conglomerates. Learn about the PNC.

In short, attention toward culture-oriented policies experienced a groundswell under Gil’s stewardship. Under his command, isolated groups, Indigenous peoples, fishermen, farmers, Afro-Brazilians, and NGOs have become more empowered.

However, since Gil’s departure from government, the policies he put forward have not been as enthusiastically embraced by his successors. This backtrack has generated protests by activists and proponents of a free Internet. They use Gil’s message for a more inclusive society as a rallying cry.

The culture ministry has of late focused on “cultural production,” but I interpret this to mean a focus on rich cities like Rio de Janeiro and São Paulo—which I fear would marginalize or ignore poorer communities.

A documentary called “Connecting South” by the Swiss filmmaker Pierre-Yves Borgeaud has recognized Gil’s importance for the global digital culture. The film-making team met with the Ethnic Media Institute in Bahia, Gil’s native state, as well as the Carnaval group Filhos de Gandhy (Sons of Gandhi). In the Amazon, they filmed an Indigenous village whose members produce and distribute movies over a digital network—likely one of the beneficiaries of Pontos de Cultura.

“Connecting South” and other projects have in common the same ideology that Gilberto Gil has been spreading: that the Internet should give a voice to traditionally excluded groups.


 

Gilberto Gil: o Embaixador da cultura digital no Brasil.

Ciberativista, guerreiro do software livre e ministro hacker. Esses são um dos tantos adjetivos que o cantor e compositor brasileiro Gilberto Gil vem recebendo nos últimos anos. Desafiando regras do mercado e mostrando bastante interesse nas recentes transformações causadas pelo mundo digital, Gil é considerado hoje o grande embaixador da cultura digital no Brasil.

Em um recente festival de cultura digital, realizado em São Paulo, o cantor, que completa 70 anos no próximo ano, fez questão de frisar a importância das mudanças na política tradicional com o advento da Internet. Assista ao vídeo aqui.

Um pouco antes, no mês de junho, o cantor inovou mais uma vez ao disponibilizar toda a sua discografia para plataformas móveis como iPod, iPad e Android.  O fato é coerente com sua ideologia. Gil é um dos grandes entusiastas do copyleft, conceito que é oposto ao direito autoral de obras artísticas.

Conhecido em todo mundo pelo suas canções tropicalistas, ritmo que inventou com o também baiano Caetano Veloso, Gil foi um dos primeiros músicos no Brasil a falar sobre a importância da cultura digital. Ainda nos anos 60, por exemplo, fez uma música chamada "Cérebro Eletrônico" sobre robótica.  Já na década de 90, lançou a música “Pela Internet,” na qual previa que a web iria unificar o mundo em uma grande aldeia global. A música virou uma espécie de hino dos ciberativistas brasileiros.

Política Pública

Um dos grandes feitos do cantor Gilberto Gil para o avanço da cultura digital inclusiva no Brasil foi quando da sua atuação como ministro do governo Lula (2003-2008). No comando do Ministério da Cultura, o músico (e um dos poucos ministros negros da história brasileira) desenvolveu dezenas de políticas públicas para incentivar a cultura digital e diversidade cultural.  Daí o apelido de Ministro Hacker.

Exemplos dessa vontade política de transformar o Brasil por meio do acesso aos meios tecnológicos podem ser visto no programa Pontos de Cultura que alcançou periferias urbanas e zonas rurais em todo o país com a doação de kits multimídia para produção de jornalismo cidadão e cinema popular. Em geral o público beneficiado pelo programa são organizações afrodescendentes com baixo poder aquisitivo e localidades de difícil acesso.

Na política pública dos Pontos de Cultura, criada por Gil, foram investidos pelo Governo Federal cerca até abril de 2010, 2,5  milhões em 1122 cidades brasileiras. O programa funciona da seguinte forma:  organizações sociais e comunitárias participam de um edital e informam o motivo para o qual desejam receber o kit do Ministério da Cultura.  Uma vez aprovadas, recebem o valor de R$ 185 mil, para investir conforme projeto apresentado. O recurso pode ser investido na aquisição de microcomputador, mini-estúdio para gravação de CD, câmera digital e ilha de edição. A coordenação do programa fornecem a todos um pacote de software livre baseado no sistema linux.  De lá para cá centenas de grupos culturais vem produzindo material e produzindo conteúdo pela internet formando uma grande rede nacional de produção popular.

Uma outra iniciativa importante da gestão de Gilberto Gil foi a elaboração do Plano Nacional de Cultura (PNC)—que delimita as políticas de Estado para os próximos dez anos. O Plano começou a ser discutido no ano de 2003 e tem como objetivo “assegurar o pleno exercício dos direitos culturais dos brasileiros de todas as situações econômicas, localizações, origens étnicas, faixas etárias e demais situações de identidade”. Esse marco jurídico é algo inovador na história da cultura brasileira que sempre privilegiou os grandes conglomerados de mídia. Conheça sobre o PNC aqui.

Especialistas em produção cultural analisam a gestão do cantor como um divisor de águas na política do setor cultural, antes centrada quase que exclusivamente no sudeste e  em benefício dos grandes grupos econômicos.  Sob o comando de Gil, grupos quilombolas, indígenas, pescadores,  pequenos produtores, movimentos negros e ONGs tiveram acesso a escasso recurso destinado para a cultura no Brasil.

Porém, após a saída de Gil do Ministério da Cultura, essas políticas não tem tido o mesmo interesse, o que tem gerado vários protestos pela comunidade de ativistas pela internet livre e comunidades minoritárias.  O receio desses ativistas é que a produção cultural mais uma vez se concentre no eixo Rio-São Paulo e deixe de alcançar comunidades nos estados mais pobres do país. Seja como for, o fato é o que o legado de Gil permanece e dificilmente qualquer gestão do governo federal conseguirá desfazer esse tipo de política.

Desde o início desse ano, um documentário organizado pelo cineasta suíço Pierre-Yves Borgeaud vem registrando a importância de Gil para a cultura digital global. O filme, denominado “Connecting South,”  deve ser finalizado esse ano. Para fazer o roteiro a equipe de cineasta viajou com Gil para o Brasil, África do Sul e Austrália para mostrar como as comunidades estão se apropriando dessa tecnologia.  Na Bahia, estado natal do cantor, a equipe se encontrou com o Instituto Mídia Étnica, com o grupo de carnaval, Filhos de Gandhy.  Já na Amazônia, filmaram com uma aldeia indígena que produz e distribui filmes pela rede digital.  Todos os projetos têm em comum a mesma ideologia que Gilberto Gil vem propagando: a internet deve ser livre e possibilitar aos grupos excluídos uma voz política.

 

Tags: Brazil, Digital Divide, Social inclusion, Gilberto Gil

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