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Politics of Water

NOVO AQ: Uma crise invisível

A seca e outros desafios relacionados à escassez de água representam uma ameaça crescente para milhões de latino-americanos. Mas alguns governos e empresas estão abrindo novos caminhos em direção ao futuro.
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Hector Guerrero/AFP/Getty; Gen Z: Ricardo Ceppi/Getty

Este artigo foi adaptado da edição impressa da AQ sobre as políticas para águas na América Latina | Read in English | Leer en español

Em teoria, a América Latina não deveria enfrentar uma crise de água – a região é dona de 30% das reservas de água doce do mundo e representa apenas 8% da população do planeta.

Mas as manchetes na mídia de toda a região revelam uma outra realidade, de rápida mudança. A seca na América Central é uma das razões para o êxodo de migrantes para os Estados Unidos e outros lugares. As torneiras da Cidade do México e de sua zona metropolitana às vezes ficam secas durante semanas. O custo das tarifas de água foi um dos slogans presentes durantes os violentos protestos que sacudiram o Chile no meio de outubro. A água não é apenas escassa, mas geralmente de baixa qualidade – menos de 40% das águas residuais da América Latina são tratadas, o que polui os lagos, rios e oceanos da região e impõe um enorme custo à saúde pública.

À medida que a mudança do clima se acelera, muitos preveem que a situação vai piorar. Embora a água seja realmente abundante na região, ela está concentrada em áreas como a Amazônia e as geleiras da Patagônia, onde poucas pessoas habitam. Infelizmente, os analistas dizem que os maiores riscos se encontram exatamente nos maiores centros urbanos onde a maior parte da população e atividade econômica se concentram, especialmente ao longo e nas proximidades da costa do Pacífico. De acordo com a Nature Conservancy, 16 das 20 maiores cidades da América Latina estão atualmente sob estresse hídrico e três delas estão sob o risco de ficar completamente sem água: São Paulo, Lima e Cidade do México.

Para esta edição da AQ, enviamos jornalistas a essas três cidades para entender melhor o que está dando impulso à crise e explorar soluções realistas. Por que a ênfase em “realista”? Porque a solução mais óbvia – gastar bilhões de dólares reformulando o encanamento de casas e edifícios e construindo novas estações de tratamento – não é economicamente viável em uma era de austeridade nem resolveria o problema de forma milagrosa. O maior desafio está em conservar e fortalecer as próprias fontes de água. Portanto, a busca que se faz necessária é por soluções criativas e econômicas que possam reverter a tendência atual.

E elas certamente existem. Desde novas tecnologias, como o processo de dessalinização que utiliza energia solar, até técnicas seculares desenvolvidas pelos incas, há motivos para otimismo. O progresso recente em Medellín, talvez seja a história de maior sucesso em relação à água na América Latina, mostrando o que é possível quando os governos levam o problema a sério, investem e encontram maneiras inovadoras de superar as barreiras geográficas e de classe.

Mas é preciso muito mais. Um executivo com quem conversamos chamou o problema da escassez de água de “crise invisível” – que se desenvolve de maneira lenta e nem sempre aparece nas primeiras páginas dos jornais, mas é assustadora da mesma forma. A maior mudança necessária pode ser de mentalidade – reconhecer que, mesmo na região das Cataratas do Iguaçu, do glaciar Perito Moreno e do lago Atitlán, a água já não pode mais ser considerada um recurso abundante, mas sim um que está cada vez mais ameaçado.

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