Politics, Business & Culture in the Americas
China-Latin America 2.0

China e América Latina 2.0: A próxima fase na relação com Pequim

Muitos latino-americanos estão animados com a crescente presença — e generosidade — da China. Mas está claro que mudanças são necessárias.
china

LINTAOZHANG, BRUNAPRADO/GETTY; SHUTTERSTOCK (SUIT)

Este artigo foi adaptado da matéria impressa da AQ | Leer en español | Read in English

As três capitais mundiais mais distantes de Pequim são Santiago (19.000 km), Montevidéu (19.143 km) e Buenos Aires (19.300 km). Quando você considera essas distâncias e a relativa falta de laços históricos e culturais, a expansão da China na América Latina nas últimas duas décadas parece ainda mais extraordinária.

Esta edição da AQ traz um quadro variado e cheio de nuances da relação atual entre a China e as principais economias latino-americanas — com laços profundos, um nível cada vez mais elevado de sofisticação e uma certa tensão. A China é hoje o segundo maior parceiro comercial da América Latina, atrás apenas dos Estados Unidos. Para muitos países, o gigante asiático tem sido o principal parceiro há anos. Pequim compra não apenas petróleo colombiano e minério de ferro brasileiro, mas investe em barragens, ferrovias e redes elétricas. Celulares e carros chineses tornaram-se populares. Milhares de latino-americanos agora estudam na China; muitos gostam do país o suficiente para ficar, destacando-se em áreas como a tecnologia e as artes — e construindo uma base para laços ainda mais estreitos nos próximos anos.

Muitos governos estão igualmente animados. Mas também há indícios de um recuo. Líderes no Brasil, Equador e El Salvador pedem mudanças, preocupados com vários temas, desde empréstimos predatórios até aquisições de terras e minerais estratégicos como o lítio pela China. Há rumores crescentes nos círculos diplomáticos da América Latina sobre a formação de uma frente comum para pressionar a China por melhores termos para o comércio e o investimento. O contínuo apoio de Pequim à ditadura venezuelana também alienou muitos formadores de opinião.

Talvez boa parte desse cenário fosse inevitável; as potências ascendentes sempre passam por um processo de aprendizado. Mas seria sensato que todas as partes envolvidas procurassem estabelecer uma versão 2.0 modernizada do relacionamento entre a China e a América Latina. Para Pequim, isso significa perceber que não pode fazer negócios na região nos mesmos moldes em que faz negócios em partes da África e da Ásia — a propriedade intelectual, as leis ambientais e trabalhistas, juntamente com a própria democracia, devem ser respeitadas. Para a América Latina, isso significa não considerar a China como um parceiro garantido e trabalhar para melhorar o ambiente de negócios. Discretamente, o comércio e o investimento chineses se estagnaram nos últimos anos, à medida que Pequim se concentra em mercados mais dinâmicos em outras regiões.

O governo de Donald Trump tem sido encorajado por essas tensões recentes e espera ganhar novos aliados em sua competição global com a China. Mas, como mostra essa edição, os laços econômicos e políticos já são tão profundos que a maioria dos governos —mesmo aqueles como o Brasil de Jair Bolsonaro — relutam em reagir de forma drástica às ações de Pequim. Uma reforma nas relações, em vez de uma ruptura, parece ser o caminho mais provável. Há poucas dúvidas de que China esteja na América Latina para ficar.

ABOUT THE AUTHOR

Brian Winter is editor-in-chief of Americas Quarterly and the vice president for policy at Americas Society/Council of the Americas. A best-selling author, analyst and speaker, Brian has been living and breathing Latin American politics for the past 20 years.

Like what you've read? Subscribe to AQ for more.
Any opinions expressed in this piece do not necessarily reflect those of Americas Quarterly or its publishers.

Like what you're reading?

Sign up for Americas Quarterly's free weekly newsletter and stay up-to-date on politics, business and culture in the Americas.